Como usamos estatística pura e redes LSTM de forma combinada e auditável para montar carteiras — sem promessas de acerto.
Loterias são eventos aleatórios: não existe “garantia” e não prometemos acertos. Nosso foco é outro: aplicar engenharia de dados e modelos de apoio para organizar escolhas, reduzir redundância entre jogos e aumentar a qualidade do conjunto final com regras, validações e rastreabilidade.
Em um bolão, a diferença prática não é “adivinhar o sorteio”, e sim montar um portfólio de apostas com diversidade, governança e menor risco de repetir padrões fracos — algo que “surpresinhas” e aleatoriedade pura não controlam.
Nos projetos convivem duas famílias de estratégia que se complementam: as puramente estatísticas (Sistema Sigma, Sistema Mosaico, Sistema Matrix+, Prisma e Eclipse) e as que usam redes LSTM (Sistema Synapse e Sistema Horizonte). Nenhuma das duas “quebra” a loteria: ambas usam o histórico como régua de orientação para distribuir o orçamento da carteira.
Para dimensionar o que qualquer método enfrenta, vale lembrar o espaço combinatório da Mega-Sena:
E o referencial mais honesto de todos: um jogo aleatório de 6 dezenas acerta, em média, exatamente \(E[X] = k \cdot \frac{s}{N}\) dezenas por sorteio — no caso, \(6 \cdot \frac{6}{60} = 0{,}6\). É contra essa régua que medimos tudo, inclusive os acertos médios do modelo LSTM:
As estratégias puramente estatísticas não treinam redes: elas transformam o histórico em artefatos matemáticos explícitos. São exemplos práticos nos nossos projetos:
Vantagens: 100% auditáveis (cada número sai de uma fórmula), determinísticos com mesma semente, baixo custo computacional e interpretação direta. Limites: capturam apenas o que está explicitamente codificado — dependem das janelas, pesos e decaimentos escolhidos, e não modelam interações temporais mais profundas.
O Sistema Synapse (Mega-Sena) e o Sistema Horizonte (Quina Mensal) usam redes LSTM.
Em vez de fórmulas fixas, a rede aprende pesos que relacionam os concursos em sequência. Para cada
concurso, o histórico é organizado em janelas (LOOK_BACK = 36 concursos na Mega-Sena) e a rede recebe uma
sequência temporal para prever o próximo sorteio.
A célula LSTM é controlada por portões que decidem o que esquecer, o que atualizar e o que emitir:
Sobre a LSTM, o mecanismo de atenção pondera quais momentos do passado são mais relevantes antes de gerar a saída — que atribui, para cada uma das 60 dezenas, uma probabilidade com função logística:
Como “6 sorteadas em 60” é um evento raro (desbalanceado), o treinamento usa Focal Loss, que concentra o aprendizado nas dezenas realmente sorteadas:
E o modelo é refinado com poda por magnitude (“winning ticket”): pesos pequenos são zerados (\(m_i = 1\) se \(|\theta_i| > \tau\), senão \(0\)) e o modelo é retreinado, reduzindo complexidade e estabilizando a inferência.
Vantagens: captura padrões temporais e interações não lineares que fórmulas explícitas perdem, e gera um ranking de dezenas mais refinado. Limites: exige grande histórico, validação temporal honesta (nunca avaliar em dados já vistos) e cuidado com overfitting; sem regras de qualidade ao redor, as probabilidades sozinhas não montam uma boa carteira.
| Critério | Estatística pura (Sigma, Mosaico, Matrix+, Prisma, Eclipse) | LSTM (Synapse, Horizonte) |
|---|---|---|
| O que gera o sinal | Fórmulas explícitas sobre o histórico (coocorrência, FFT, Pareto, β-mixing) | Pesos aprendidos pela rede em sequências de concursos (LOOK_BACK = 36) |
| Interpretabilidade | Total: cada número sai de uma fórmula auditável | Parcial: ranking de probabilidades, exigindo validação e calibração |
| Principal métrica | Cobertura, diversidade (entropia, pares) e ganho marginal | Acertos médios Top‑6 (\(E[X] = 0{,}6\) aleatório), % ≥3 e ≥4 |
| Risco principal | Dependência dos parâmetros escolhidos (λ, β, janelas) | Overfitting — exige validação temporal, early stopping e poda |
| Papel no bolão | Baseline, camada de segurança e diversidade da carteira | Orientar o ranking de dezenas que alimenta as regras |
Na prática, os dois eixos convivem: o ranking do modelo LSTM alimenta fixas e subgrupos, e as regras estatísticas (coocorrência, blocos, vizinhos, semelhança) garantem que o resultado seja uma carteira diversificada — nunca um “jogo solto” dependente de um único sinal.
Nota de precisão: a Dupla Sena Mensal (Sistema Eclipse) combina sinais estatísticos com um score de Random Forest no funil de seleção — uma camada de aprendizado leve sobre os mesmos sinais, sem rede LSTM. E a Lotofácil (Sistema Prisma) usa apenas múltiplos sinais estatísticos combinados, sem treinamento de rede. Por isso, o comparativo abaixo foca no contraste entre o polo puramente estatístico e o polo LSTM.
O pipeline é dividido em fases, com artefatos e logs a cada etapa — para que tudo seja auditável.
Para cada concurso, geramos um vetor de entrada com sinais que combinam histórico e tempo:
delta_days (intervalo entre concursos).days_since_last_hit e um decaimento exponencial para modelar “memória” temporal:
deque (eficiente) para gerar freq_last_w.Saídas da fase: X_train/X_val/y_train/y_val (NPY) + fase1_output.json com schema, parâmetros e logs.
O modelo é multi‑rótulo: ele produz uma probabilidade para cada dezena (1..60), com saída sigmoid (não “escolhe” um único número).
return_sequences=True) → Dropout → LSTM(128) → Attention → Pooling → Dense(60, sigmoid).Saída da fase: um checkpoint .keras que a Fase 4 consome diretamente.
Em vez de “uma aposta”, geramos um conjunto grande com diversidade controlada. As principais estratégias são:
Ao final, exportamos CSV unificado e logs detalhados; opcionalmente, sincronizamos com Google Sheets para conferência e autopreenchimento.
Suponha que o bolão precise de 120 jogos de 6 dezenas. A Fase 4 faz, em alto nível:
.keras e gera a previsão para o próximo concurso (probabilidade por dezena).Não é “mágica” nem promessa de acerto. É engenharia aplicada: modelo + regras + validações que buscam consistência na alocação das apostas, com transparência e reprodutibilidade.
Em resumo: não prometemos resultados, mas entregamos um processo mais profissional do que “surpresinhas” — com dados oficiais, estatística pura e LSTM como apoio, filtros de qualidade e rastreabilidade.